Cinema - Matrix Resurrections - Plugado para um novo milênio!

 








Matrix estava morta. Criado pelas Wachowski, o filme revolucionou o mundo em 1999 , a obra gerou uma belíssima animação, Animatrix, e duas sequências , Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. Com fim da quadrilogia original em 2003 e com uma breve sobre vida, graças ao jogo Matrix Online e algumas HQs lançadas, a franquia saiu do mainstream por volta do fim dos anos 2000, mantendo-se viva apenas nos corações dos fãs mais apaixonados.

Boatos sempre rodaram por aí afirmando que um quarto filme seria feito. Até que em 2019, Lana Wachowski, uma das irmãs criadoras de Matrix, anunciou, junto com a Warner, que a produção do quarto filme estava caminho e que os atores que Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss voltariam aos seus papéis icônicos.

Assim chegamos a Matrix Resurrections. dirigido apenas por Lana Wachowski, porque a sua irmã , Lilly Wachowski, que decidiu não participar dessa nova empreitada  mas que deixava a sua benção para que o projeto seguir em frente.

A missão de Lana, que volta a direção e roteiro junto com os também roteiristas de David Mitchel e Aleksandar Hemon é trazer Matrix para o século 21,sem ignorar ou alterar a quadrilogia anterior.

Para isso os roteiristas decidem utilizar de forma deliberada a nostalgia. Diferente de outras obras que usam esse recurso de forma não intencional e até ingênua, aqui temos a adição da metalinguagem e também do comentário crítico, e até mesmo irônico e sarcástico, de elementos presentes nas obras anteriores de Matrix. Também temos atualizações de elementos presentes na trilogia, sejam as críticas sociais e também elementos de tecnologia, que assim como a obra de 1999,  a Matrix de hoje reflete muitas coisas existentes no mundo virtual moderno.

Com isso, muitos  diálogos da obra acabaram tornando-se demasiadamente expositivos. Essa escolha funciona na maioria das vezes, porém,o uso desse recurso acaba sendo excessivo. Isso torna algumas interações mecânicas demais.

Como o tempo passou, novos personagens foram adicionados ao mundo de Matrix e também temos retornos importantes. Jessica Henwick mostra a sua Bugs com muita energia e vigor. A capitã do hovercraft Mnemosine é disparado a melhor das novas personagens, uma pena ver que o mesmo não pode ser dito da sua equipe, que cumpre apenas o papel narrativo que o roteiro lhes dá. Neil Patrick Harris começa bem,trazendo mistério ao Analista,mas acaba sendo usado como apenas para exposição no terço final. Também temos o retorno de personagens da trilogia original, mas com novos atores. No começo, é estranho ver Yahya Abdul-Mateen II no papel de Morpheus. O ator escolhe dar um ar mais irônico e até debochado ao personagem, o que difere um pouco da forma clássica e elegante que Lawrence Fishburne deu o personagem nos filmes originais, mas ele consegue manter a característica principal de Morpheus, que é um guia para que Neo consiga despertar. Já Jonathan Groff usa bem a mudança que o Agente Smith recebeu nessa nova versão da Matrix. Ele consegue captar algumas nuances de voz que o seu antecessor, Hugo Weaving tinha no personagem, e ao mesmo tempo, adiciona personalidade própria a essa nova versão. Carrie-Anne Moss, mesmo com pouco tempo de tela,consegue imprimir a sua já característica interpretação de Trinity. Por último, Keanu Reeves consegue trazer diversas nuances a Thomas Anderson, como medo e a dúvida, e após ser despertado, vemos a certeza da busca que o personagem tem nesse momento da história. Mudanças físicas e de comportamento são perceptiveis na interpretação de Keanu. Ele realmente tem uma presença magnética em tela, e sabe que a razão desse projeto ter ganho vida foi graças a sua participação e utiliza isso muito bem.

Matrix possui três elementos clássicos muito característicos: a fotografia de Bill Pope  a edição de Zach Staenberg e a coreografia de lutas por Yuen Woo-Ping. Infelizmente, o trio não voltou nessa sequência. Enquanto Daniele Massaccesi e John Toll criam uma fotografia competente, explorando que a nova versão da Matrix não é esverdeada, como era a analogia aos computadores antigos na versão original, e sim completamente em Full HD, e com isso utilizam uma paleta de cores muito saturadas e o uso em demasia de dourados, sejam no pôr do sol ou no amanhecer. Entretanto, os dois pecam bastante nas cenas de lutas, usando enquadramentos muito fechados, e junto com a edição de Joseph Jett Sally, que aqui utiliza de uma edição picotada demais nesse tipo de cena,deixaram as lutas confusas em vários momentos. Também é percepitível ver o esforço de Chad Stahelski a fim de esconder a falta de capacidade de alguns atores nas cenas de lutas, exceto Jéssica Henwick, Keanu Reeves e Jon Groff. Johnny Klimek e Tom Tykwer conseguiram dar personalidade a trilha sonora, mesmo aqui e ali utilizando temas clássicos da trilogia original criados por Don Davis.










Matrix Ressurrections trouxe pra Lana Wachowski o desafio trazer pro hoje a sua obra que estava finalizada desde 2003. Ao criar uma bom roteiro que, num misto de reverência ,meta linguagen e critica moderna,usa como base os filmes anteriores pra criar esse novo momento de Neo ( Keanu Reeves) e Trinity (Carrie-Anne Moss).
Não é um caminho perfeito, mas é coeso e bem estruturado e consegue colocar Matrix de volta ao jogo e sim, eu quero ver mais desse novo universo.









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