Cinema - Querido Evan Hansen - As dores da busca por aceitação!


 Querido Evan Hansen, a adaptação do musical de sucesso da Broadway ganhou a sua versão cinematográfica. Graças ao convite da Universal e das amigas e parceiras da Espaço Z, pude conferir o longa e aqui estão a minha análise, sem spoilers.

Evan Hansen é um jovem que possuí dificuldade de se relacionar com pessoas, devido aos seus medos e inseguranças, devido a sua depressão e ansiedade. Ao começar mais um ano letivo, Evan encontra-se com Connor Murphy, irmão de Zoe, a garota que Evan tem uma paixão secreta. Após uma tragédia, Evan acaba se aproximando da família de Zoe ,mas essa aproximação vem à um custo muito sério e que pode levar Evan a um caminho complicado para ele.

Dirigido por Stephen Chbosky, de Extraordinário e As vantagens de Ser Invisível, o filme tem o roteiro escrito por Steve Levenson, que também escreveu o musical da Broadway. Ter o autor original da obra é sempre um sinal de que podemos esperar uma obra que consiga ser bastante fiel ao seu conceito original. Entretanto ,esse não foi o caso aqui.

Dá pra sentir que Levenson não abriu mão de nenhum momento de sua peça teatral. Isso gerou diversos problemas narrativos, porque é claramente necessário preencher as lacunas entre os números musicais com desenvolvimento de personagens e desse cenário todo. Com isso, o filme acabou maior do que ele deveria ser. É perceptível que há cenas que poderiam ser melhor resolvidas com atuação. Os tempos entre os atos, mesmo com o roteiro adotando prólogo e epílogo, ficaram destoantes e estranhos. Também temos uma oscilação de tons, indo dramático ao engraçado e nem sempre acertando a hora certa de ser um ou outro. As escolhas dos números musicais são competentes e bem conduzidos, graças ao trabalho da dupla Justin Paul e Benj Pasek, que também cuidaram dos números músicas na obra original. Apostando sempre que possível num show solo em sua maioria e poucas vezes há o uso de coreografia ou de momentos mais lúdicos, devido aos temas apresentados na trama.

Mesmo assim, há um mensagem importante no filme. Ao lidar com temas como suicídio, depressão, isolamento, expectativas sociais, luto, ansiedade, redes sociais e principalmente, uma critica ao modo de vida estadunidenses em relação aos adolescente. Há temas mais desenvolvidos em tela do que outros, o que é até natural. Essa temáticas acabem sendo grandes surpresas ao serem contados em formato de musical.

Com isso, tivemos uma escolha que foi muito divisória: a escolha de trazer Ben Platt para repetir o papel de Evan Hansen no filme. Olhando a sua atuação de forma isolada, Platt fez um trabalho excelente. Ele sabe dar a Evan a postura corporal correta, com ombros mais baixos, o cabelo mal arrumado e o figurino certeiro ,como roupas mais largas e fora de moda. Na parte musical, ele faz bonito e mostra porque angariou muitos fãs e que fez com que ele também viesse pro elenco do longa. Porém, a presença de Platt é algo que me incomodou diversas vezes, pelo fato dele destoar do elenco adolescente, pelo fato dele ser mais velho ,e Evan é um adolescente na história, como também destoa de alguns atores que fazem o papel de pais ou professores. O restante do elenco está ok, com destaque pra Juliane Moore, como Heidi Hansen, que mesmo aparecendo menos, consegue impor um papel importante como mãe de Evan e por pouco, Amy Adams não cai no exagero, devido ao papel que lhe foi dado. Kaitlyn Denver faz uma Zoe que tem muitas dúvidas e dilemas frente ao que lhe é mostrado e mesmo sendo o que menos aparece em tela, Colton Ryan consegue mostrar o sofrimento de Connor Murphy.



Querido Evan Hansen é um musical diferente . Há aqui uma mensagem importante, graças a boa direção, roteiro com diálogos eficazes e bons números musicais. Mesmo com a execução irregular,  a história que o filme conta se sobressaí e torna-se necessária.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cinema- O Esquadrão Suicida - Maior, Melhor e Sem Limites!

HQs - HERÓIS RENASCEM (Heroes Reborn) - A ousada cartada da Marvel nos anos 1990!!!

O Bem, o Mal e a X-Force