Cinema- Casa Gucci - Tradição e Traição!



Gucci. Uma das mais famosas marcas do mundo da moda. Sinônimo de poder, elegância, luxo e família. Durante os anos 1980 e1990, a marca Gucci viveu seus dias de glória e queda e no meio desse turbilhão, estavam seus membros mais proeminentes, como os irmão Aldo, o arrojado e Fabrizio, o tradicionalista, detentores e guardiões da marca. Seus filhos, Paolo, a vergonha da família e Maurizio, o metódico e apático sucessor e a esposa de Maurizio Gucci, Patrizia Reggiani, ou como ela prefere ser chamada, Patrizia Gucci.

Casa Gucci (House of Gucci) chega aos cinemas marcando a segunda obra do experiente diretor Ridley Scott, a estrear em 2021. Adaptado do livro de mesmo nome escrito por Sara Gay Forden, adaptado por Becky Johnston e Roberto Bentivegna , o filme coincide o seu lançamento com o aniversário de 100 anos da marca criada pro Guccio Gucci, em 1921.



Adaptar um livro tão rico e extenso não é uma tarefa fácil. A dupla de escritores seguiu aqui um caminho cronológico e linear, focando o inicio no momento em que Patrizia, filha de dono de uma empresa de caminhões de carga, e Maurizio, um jovem estudante de advocacia, se encontram e se conhecem, em meados de 1978. A partir deste ponto, somos apresentados ao jovem casal e ao pai de Maurizio, Fabrizio Gucci, que acaba sendo contra essa relação. O casal acaba sendo apoiado por Aldo Gucci, que vê em Maurizio, um propenso sucessor que cuidará dos negócios da família, algo que seu filho, Paolo Gucci, demonstra não ter a menor inclinação e capacidade de assumir.

 É com esse cenário e personagens que o filme segue a sua narrativa. Enquanto temos um primeiro ato bem conduzido ao apresentar esses personagens e o cenário que os cerca, vemos gradativamente o roteiro se perder na medida que o filme avança. Ao dar foco em Patrizia e Maurizio, o filme acaba dando menos espaços pros outros personagens que precisariam ser melhor trabalhados pra que pudéssemos entender melhor os seus anseios e problemas e isso resulta em alguns retratos menos tridimensionais.

 O roteiro deixa a própria marca em si e seu lado mais “fashion” ficam de lado em prol de disputas monetárias e rixas familiares e também temos saltos temporais muito estranhos, o que quase torna o filme episódico no seu segundo ato. No terceiro ato, ao diminuir o tempo de um dos personagens em tela, o filme padece de vez ao marasmo. Marasmo esse que afeta a narrativa como um todo, fazendo-a perder força gradativamente. Momentos que deveriam ser tensos não tem força em tela e o filme fica numa constante segunda marcha. Nem acelera e nem para, seguindo nesse ritmo lento e enfadonho até o seu final.

Essa sensação de inércia é acentuada por uma edição burocrática e uma fotografia sem um pingo de ousadia. A câmera nunca é ousada, apostando sempre em planos e ângulos que funcionariam bem em uma novela.

Já outros aspectos técnicos e necessários pra trama estão muito bem executados. O trabalho de recriação está muito bom, com itens e cenários que ajudam a notar em que ano estamos na trama. Temos uma atenção especial pros figurinos, que ressaltam muito bem a breguice espalhafatosa da Patrizia e de Paolo, a tradição com Aldo e Fabrizio e a timidez e insegurança de Maurizio. O trabalho de maquiagem está impecável, em especial a transformação de Paolo e os penteados de Patrizia.

Lady Gaga é o maior destaque. Sua construção de Patrizia não tem muita sutileza. É agressiva, esperta, ambiciosa e lasciva e vai aos poucos conquistando o seu lugar dentro da família Gucci. Mesmo adquirindo status e riqueza, ela sempre é brega, beirando ao kitsch e sempre adepta de demonstrações de poder, e a atuação de Gaga abraça tudo isso muito bem, mesmo aqui ou acolá caia no overacting. Adam Driver também está excelente em tela, com uma versão jovem, tímida e insegura, mas que está verdadeiramente apaixonada por Patrizia. Sua atuação vocal e facial demonstra muito bem as transformações que o personagem passa. Paolo é uma versão quase irreconhecível de Jared Leto, exceto no seu já consagrado exagero de atuação. Jeremy Irons aparece pouco em cena como Fabrizio, mas é o suficiente pra contrapor o papel de Al Pacino, que acrescenta mais um papel de italiano na sua vasta  carreira.


Casa Gucci acerta em recriar um retrato de uma das mais poderosas famílias da moda dos anos 1980/1990. Há um bom trabalho de arte, figurino e maquiagem e elenco, com destaque pra Lady Gaga e Adam Driver. Porém, um roteiro irregular gerou um filme sem tensão e arrastado, e a fotografia pouco inspirada,  fazem o longa perder  demais em sua narrativa e afetam negativamente o projeto como um todo.

25/11 nos cinemas.


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