Cinema - DUNA (Dune,2021) - Denis Villeneuve faz o impossível mais uma vez!

 


Duna (Dune,2021) de Denis Villeneuve, após diversos atrasos, devido a pandemia de COVID-19,finalmente chegará aos cinemas em 22/10. Já pude assistir ao filme, à convite da Warner Bros. Brasil e das amigas e parceiras da Espaço Z , já assistimos ao longa, que é um dos mais aguardados de 2021. Agradeço a oportunidade e trago a minha análise sem spoilers do filme.

Adaptado do livro de Frank Herbert, o filme conta a história do jovem Paul Atraides (Timothée Chalamet), que junto com sua família, a casa Atraides, partem para o inóspito planeta Arrakis, após a saída da casa Harkonnen,  onde ele precisará lidar com os diversos perigos, sejam políticos ou do próprio planeta, enquanto faz a sua jornada pessoal de auto descobrimento.

Duna, a obra gigantesca de Frank Herbert, tornou-se um dos pilares da ficção científica mundial. A grande saga espalhada em seis livros tornou-se fonte de inspiração para muitas obras posteriores, sejam as de jedis com sabres de luz ou mesmo guerras pelo trono de ferro. O que também é sabido dentro da cultura pop, é a também gigante dificuldade de adaptar a obra para outras mídias. Desde os anos 1970, diversos artistas tentaram. Jodorowski, David Lynch lutaram pra criar versões cinematográficas à altura dos livros, mas com projetos infrutíferos. Nem mesmo as séries de TV chegaram perto de um resultado satisfatório. Assim, ao assumir o projeto em meados de 2018, Denis Villeneuve  teve mais um desafio em sua carreira, que após criar a grandiosa e inesperada sequência de Blade Runner, em Blade Runner 2049, ele agora tinha à frente a missão de criar algo que ninguém tinha feito antes: adaptar Duna para os cinemas em grande estilo.

A primeira decisão polêmica que o diretor tomou, junto com os também roteiristas Jon Sphiats e Eric Roth, foi a de dividir o primeiro livro em dois filmes. Com isso, o filme ganhou mais espaço pra que o cenário desse universo fosse bem apresentado no primeiro ato do filme. Chega a ser didático como o filme explica esse tabuleiro espacial, com um grande império e as grandes casas, como a Atraides e a Harkonnen e como elas se relacionam. O clima de toda obra é sempre de tensão e expectativa, que explode e se contrai nos momentos certos. Mesmo com uma narrativa bastante linear, o filme tem um ritmo seguro e sem atropelos, mostrando que há uma preocupação em sempre apresentar bem o que está sendo contado. Algumas vezes esse apuro deixa o filme mais lento do que deveria, mas não chega a ser um problema maior. Mesmo sendo a primeira parte, o filme se sustenta por si mesmo, com uma divisão clara de atos, e a jornada do protagonista é bem apresentada. Os ganchos pra continuação são bem mostrados e geram uma excelente expectativa pro que virá. O longa também não se furta de expor características nas diversas camadas que a obra original possuí, sejam o colonialismo,  o salvador branco, as analogias europeias e árabes, os campos religiosos e seus messias e também o caráter politico e econômico dessas relações, mesmo que sejam em menor grau, mas que ajudam a montar esse cenário e validar as motivações dos personagens.

Ter um grande elenco ajuda bastante nesse tipo de desafio. A escolha de Timothée Chalamet como o protagonista Paul Atraides foi acertada. Chalamet transmite muito bem a insegurança e fragilidade que um jovem que acaba de receber todo o peso do mundo em suas costas. Junto com isso também a há inteligência e ver como Paul evoluí i nessa primeira parte é excelente por causa do trabalho dele. Cercando esse protagonista, temos um elenco que poucos diretores conseguem reunir pra um projeto. Oscar Isaac (Duke Leto) e Rebecca Fergusson (Lady Jessica) são as figuras imponentes a frente de uma família, como também são a base dessa casa, como mente e coração devem ser. Os fiéis aliados como Josh Brolin (Gurney Halleck) , Stephen McKinley  Henderson(Thufir Hawat) e Jason Momoa ( Duncan Idaho). Os violentos e sombrios Harkonnen tem seus papeis de vilões bem defendidos com Dave Bautista (Rabban Harkonnen), David Dastmalchian (Peter de Vries) e roubando a cena, Stellan Skarsgard (Barão Harkonnen). Os nativos de Arrakis,os Fremen ganham força, mesmo como pouco tempo de tela, graças ao excelente Javier Bardem (Stilgar) e Zendaya ( Chani).

O caráter visual de Duna é algo poucas vezes alcançado no cinema. Graças á fotografia criada por Greig  Fraser , junto com o design de produção de Patrice Vermette ,temos aqui o que é um dos melhores trabalho visuais do cinema recente. As escalas vão de construções e cenas onde o colossal, como naves gigantescas e construções imponentes e cenas panorâmicas que evocam quilômetros de área, tornam-se elementos imprescindíveis e únicos na narrativa, sejam a clareza e austeridade da casa Atraides,o bizarro e sombrio mundo dos Harkonnen e o inóspito e arenoso modo de vida dos que vivem em Arrakis.   Ao mesmo tempo, há inúmeros momentos onde o trabalho de espaço negativo é belamente utilizado pra dar força ao drama dos personagens e ao que a cena pede. O trabalho de texturas e espetacular e faz você sentir esse mundo na tela. Os figurinos criados pro Jacqueline West dão personalidade a cada casa e povo. Os efeitos visuais e o trabalho de som são primorosos e a trilha sonora de Hans Zimmer encontrou uma obra que faz jus a sua força e vigorosidade, evocando sempre o metálico e industrial de suas percussões mesclando bem com sons mais tribais com influencia árabe. Esse é um filme que se for possível, é realmente uma experiência cinematográfica plena, com bônus se for visto em IMAX, graças às gravações de todo o longa nesse formato.




“EU NÃO DEVO TEMER.

O MEDO É O ASSASSINO DA MENTE.

MEDO É A PEQUENA MORTE QUE TRAZ OBLITERAÇÃO TOTAL.

ENFRENTAREI O MEU MEDO.

VOU PERMITIR QUE PASSE POR MIM E POR MIM. E QUANDO TIVER PASSADO, VOLTAREI O OLHO INTERNO PARA VER SEU CAMINHO. ONDE O MEDO FOI, NÃO HAVERÁ NADA.

SÓ EU FICAREI. ”

Essa citação é exatamente o que Dennis Villeneuve fez.Desde Senhor dos Anéis eu não sentia essa sensação de ver algo grandioso e destemido assim.

Essa primeira parte de Duna funciona em muitos sentidos, com múltiplas leituras e funciona muito bem como filme que tem voz e personalidade. Eu não li os livros e o filme conseguiu me encantar e entreter graças ao grande projeto cinematográfico que ele é.

Com um elenco afiado e um trabalho técnico impecável, Duna valeu a espera e Dennis Villleneuve acescenta mais uma obra magnifica no seu currículo..

 

 


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