O Bem, o Mal e a X-Force

 AVISO: Texto originalmente publicado no Dínamo Studio em 27 de maio de 2015 https://tinyurl.com/yjvvfc58

Saudações, argonautas.

Na história de hoje, tocaremos num ponto (UIA!) que provoca surtos, mas também tem seus defensores:

A X-FORCE DE ROB LIEFELD!



X-Force #01 por Rob Liefeld

Sim…“O MESTRE” sempre será um caso à parte em toda a indústria mainstream de quadrinhos americanos. Um caso que merece atenção e precisa ser visto em seus vários aspectos.

Então senta ai e vejamos alguns pontos sobre os porquês da X-Force ser parte integral e necessária na visão da história dos quadrinhos.

O Mal

Puxadas de Tapete.

Louise Simonson

No finzinho dos anos 1980 e comecinho dos anos 1990, as revistas Amazing Spider-ManUncanny X-men e New Mutants ganhavam cada vez mais fãs. Esse sucesso não era devido as suas grandes histórias, que não eram grandes mesmo, mas sim pelos desenhos de uma nova turma de desenhistas do barulho aprontando grandes confusões: Todd McFarlaneJIM LEE e ele, ainda um noviço, Rob Liefeld. Essa turminha não chegou no topo sem fazer alguns inimigos pelo fato de que suas páginas ficavam cada vez mais elaboradas e cheias de “massavéio”, o roteiro ia pra onde judas perdeu as botas.

Claro, os roteiristas ficaram muuuuuuito boladões, como é dito no livro ” A História Secreta da Marvel Comics”, do Sean Howe, tanto Chris Claremont nos X-Men e a roteirista Louise Simonson nos Novos Mutantes, viram todo seus trabalhos indo pro brejo. Reclamaram muito, mas tudo dava com os burros n’água, porque o editor-chefe do período, Bob Harras, ADORAVA os Novos Meninos de Ouro da arte, o que gerou rachas definitivos como a saída de ambos os roteiristas de suas revistas e muitos xingamentos nas entrevistas na revista Comics Scene (a revista informativa mais popular dos anos 1980) e nos fanzines de fãs sobre os mutantes.

Bolhinhas… bolinhas de sabão… POU!

X-men #01 de JIM LEE – 8 milhões de gibis vendidos.

Com esse sucesso, as revistas começaram a vender muito, como não se via em muitos anos.

Spider-Man, o novo título do Aranha conduzido pro McFarlane vendeu aproximadamente 3.900.000 de exemplares. No mês seguinte, a X-Force de Liefeld vendeu 5.000.000 de revistas. Depois os X-Men de JIM LEE bateram os 8.000.000 de cópias vendidas. UAU! Quantos leitores novos, certo? ERRADO!

Essas vendas astronômicas eram o fruto de uma brutal especulação que alguns vendedores e clientes executaram no período. Pessoas e lojas compraram caixas desse material, achando que em 20 anos, tipo hoje, essas revistas valeriam uma grana alta.

O resultado foi uma bolha especulativa que cresceu até explodir por volta de 1995, ferrando com todo o mercado, jogando a sombra da falência em todo mundo, inclusive na Marvel Comics que com um pedido de falência aberto teve que vender umas coisinhas, tipo os direitos pra outras mídias do Aranha e dos X-men, mas isso fica pra outro post.

Dentes Rangentes

A X-force foi exatamente o que você lembra dela: tiros, explosões, personagens brutais e profundos como a piscina de plástico do seus sobrinho, mas que fez MUITO SUCESSO!

Má quiéissu,Batimá???

Como sabemos, o mercado tem uma tendência natural (e diga-se de passagem, burra pra caralho) de seguir uma estética caso ela dê certo (leia-se gere dinheiro à dar com o pau). Então tanto a Marvel como a DC entupiram tudo de personagens raivosos e com dentes rangentes, citando como exemplos O Batimá João Paulo do Vale (MEL DELZ! 🙁 ) e o Demolidor Flamenguista, com sua armadura com venezianas… Tempos complicados.

O Ataque dos Clones

Com o massavéio instaurado, e some isso à política de royalties por criação de personagens rolando solta dentro da Marvel, o Liefeld marotamente começa seu festival de “novos personagens”. Dai ganhamos pérolas como Shatterstar, um clone dentes rangentes do Longshot, que era uma mistura do Bon Jovi com o Noturno. Gedeão, um misterioso careca com rabo de cavalo verde (???) e mal feito um pica-pau.

A Frente de “Plagiação” Mutante

Porém nada supera A Frente de Libertação Mutante, com todo um Festival de clonagens que vão desde uma cópia do Barbarus, um vilão bucha de quatro braços, até coisas como Conflyto, o grande vilão da X-force em suas primeiros anos com sua armadura de pontas infinitas que deixaria o Clóvis Bornay mordido de inveja e vergonha… UIA! Nota final pra Tumbelina, uma vilã anã…. WTF???

Deadpool e Cable

Vindo desse festival de horrores sem criatividade ganhamos Cable, um personagem misterioso que carregava um trabuco surgindo na revista dos Novos Mutantes e trazendo toda a truculência bélica pros gibizinhos de mutantes. Tempos depois veio o Deadpool, uma mistureba de Homem-Aranha com Wolverine e o Exterminador (Slade Wilson) e entupido de trabucos e pochetes, disparando balas, piadas infames e uma falta de ideias que parecia não ter fim.

O Bem

Os Brucutus dos Gibis.

Irmandade das Metrancas

Por Liefeld.

 Sim, a revista era tudo que um fã legítimo dos filmes e séries brucutus dos anos 1980 poderia ter num gibi.  Vejamos: Tínhamos um cara gigantão, vociferando frases de efeito e atirando até nas sombras de uma bananeira. Tínhamos personagens esmurrando os vilões sem questionar (POW! TUM! SOC!). Tínhamos as minas duronas lutando e fazendo poses estranhas às vezes com pouca roupas e sempre com trabucos fumegantes. Tínhamos vilões que eram                     maus, muito maus, e que davam risadas maquiavélicas.

Então um legítimo Comando para Matar misturado com Comando Delta estrelado pelo Arnold Schwarzenneger dos gibis, o Cable, e seus amiguinhos soldados. Dane-se o sonho do careca lá, o negócio aqui era bala infinita mesmo, seu nerd velhaco chato. Não adianta endeusar o Sylvester Stallone no Rambo 2 e ficar de mimimi com a X-Force IXPRUDINDO TUDO, porque é tudo farinha do mesmo saco. 😛

Família e Inclusão.

X-Force por Greg Capullo

A revista com o passar das edições foi ganhando uma cara de família. Lógico que uma estranha família, pois Cable não é um grande exemplo paternal e nem a Dominó é uma mãezona, mas os membros mais velhos como o Míssil e o Mancha Solar acabaram tornando-se líderes e figuras de exemplo pros mais novos como Rictor e Shatterstar, e até mesmo membros mais pirados como a Feral e o Apache.

X-Force por Adam Pollina

A X-force em algumas formações era uma equipe completamente miscigenada, com a entrada e liderança de uma indígena, a Danielle Moonstar, e com membros mistos como o Apache (um índio), o Macha Solar (um negro), a Syrin e a Dinamite (duas mulheres), e até um monstro, o Caliban bombadão. A X-Force manteve esse jeitão família, mesmo que aparentemente sendo apenas um gibi massavéio.

A Ascensão dos Desenhistas

Como falei antes, o público e as revistas especializadas começaram a enxergar mais os desenhistas. Essa nova exposição, antes mais voltada pros roteiristas, começou a empolgar os desenhistas e finalistas a buscarem pedaços maiores no bolo de faturamento das editoras, pois naquele momento, desenhistas como Rob Liefeld e JIM LEE eram os carros chefes de vendas e pra medo das editoras, os artistas sabiam muito bem seu peso no mercado.

Image Comics

Com essa nova situação, os artistas partiram pro ataque buscando mais vantagens dentro das editoras. Algumas vitórias surgiram como McFarlane (Spider-Man), LEE (X-men) e Liefeld (X-Force) ganhando seus gibis dentro da editora pra brincar, mas os caras quiseram mais. Foi quando a vontade dos desenhistas de terem mais controle criativo e monetário de suas criações falou mais alto.

Como ouvimos no ARGCAST 135, o podcast da fundação desta bela e nova editora, a Image Comics, criada por Rob Liefeld e seus amigos, com a publicação de seu gibi pessoal, o Youngblood. O resto é história.

Kirkman & Liefeld!
Apenas aceitem!

Então, nerdzinho hipster da modernidade degustador de Ovomaltine,  se você hoje lê esses gibis cool como Saga ou até mesmo o “Pai Andante”, vulgo Walking Dead, você deve isso ao Rob Liefeld, coisa que o próprio Robert Kirkman já agradeceu abertamente.

Deadpool

Má quiéissu??? Deadpool é algo bom? Sim, é.

Deixa eu explicar.

Anos depois, alguns escritores e editores viram um potencial no personagem e começaram a explorar o lado galhofa. O Deadpool hoje é mais lembrado por seu teor de piadas de gosto duvidoso, mas que tem uma base de fãs adolescentes gigante e crescente. Outros escritores também fizeram trabalhos muito bons com o personagem, como a fase do escritor Rick Remender na revista Uncanny X-Force.

Pra fechar, uma história das comic shops da vida. Nesses dias estava comprando meus gibis em uma das comic shops da minha cidade, Fortaleza, quando uma moça chegou e pediu um gibi do Deadpool. Ela explicou que trabalha como enfermeira num hospital que cuida de crianças com câncer e que uma delas, um menino, adora o personagem, pois assim como ele, o personagem também tem câncer e a criança se enxergava e utiliza essa empatia como força na luta de sua doença. Ela hoje tem 14 anos e está internada, lendo e desenhando o Deadpool, que é seu personagem predileto.

Até o Deadpool pode nos inspirar…a sermos melhores e  a não quebrar pescoços.












Os anos 1990 é um período muito execrado porque muitas das burradas feitas pelo mercado foram nesse período, mas se há algo que não pode ser negado é que autores como o Rob Liefeld e seus gibis como a X-Force fizeram a diferença.

Até tentamos entender, como no Argcast 111, mas os caminhos que O MESTRE tomou são muito maiores que nossa vã filosofia pode divagar.

Recomendações de textos:

X-Force e Velozes & Furiosos são a mesma coisa!

A História da X-Force

Livros:

A História Secreta da Marvel por Sean Howe




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