Cinema- O Esquadrão Suicida - Maior, Melhor e Sem Limites!

 


O Esquadrão Suicida, escrito e dirigido por James Gunn, chegará aos cinemas brasileiros em 05 de agosto, em sessões normais e em IMAX. Quero agradecer às amigas da Espaço Z pelo convite pra conferir mais este longa da Warner Bros.

Gunn, após ser demitido pela Disney, recebeu quase que automaticamente o convite pra assumir a continuação do filme feito por David Ayer, que conseguiu críticas ruins, mas teve um rendimento mediano nas bilheterias, o que garantiu a sua continuação. Ao aceitar o projeto, Gunn optou por ignorar quase por completo o seu predecessor, mantendo apenas ligações entre os personagens e o mote básico de vilões à serviço do governo norte-americano em missões secretas, e escolheu criar a sua obra como um filme mais pesado e violento, o que fez o longa ganhar a indicação etária "Rated-R", ou o nosso "censura 16 anos", e sim, ambas as escolhas se mostraram acertadas pro projeto.

Ao escolher alguns personagens do filmes anterior, como a Arlequina ( Margot Robbie), Rick Flag( Joel Kinnaman), Capitão Bumerangue ( Jai Courtney) e a mais que casca grossa e chefona da coisa toda, Amanda Waller ( Viola Davis) , Gunn criou o espeço de familiaridade, e a partir daí, foi cavar nos buracos mais profundos dos quadrinhos da DC Comics pra trazer um rol dos vilões mais lixões, ridículos e derrotados que já passaram pelas páginas da editora. Mesmo assim, há  figuras imponentes , como o Sanguinário (Idris Elba) e o Pacificador (John Cena),mas ao lado de verdadeiros derrotados, como o Bolinha ( David Dastmalchian), o Tubarão Rei (voz de Sylvester Stallone) e o execrável Doninha (Sean Gunn). Essa combinação de perdedores, azarões e especialistas é a química que move a trama. Como aqui estamos lidando com vilões, somos sempre lembrados que mesmo o mais imbecil desses personagens pode matar uma pessoa em segundos.

A trama do longa mostra uma missão simples pra Força Tarefa X : Infiltrarem-se na ilha de Corto Maltese a fim de destruir um laboratório de armas local. Gunn usa como base os quadrinhos dos anos 1980 da equipe, que foram produzidos pro John Ostrander (que faz uma ponta no filme) e Luke McDonnell. Todo o clima irônico, sarcástico, belicista e cínico dessa segunda metade dos anos 1980 estão muito bem incorporados ao filme, mesmo ficando claro como hoje eles soam até clichês graças aos filmes brucutus desse mesmo período. O que faz o filme ganhar ritmo, força e agilidade e prender o espectador são como os personagens são muito bem utilizados. As interações entre eles são simples e muito bem executadas, o que deu naturalidade pra eles. Diálogos espertos, piadas sujas e palavrões bem encaixadas são equilibrados com momentos tenros, descobertas pessoais e uma camaradagem de soldados em campo que se tornam bons companheiros e até amigos de longa data. Algo muito bom é ver que a escala de desafio sempre é crescente, e gradativamente ela vai subindo e atinge o clímax de forma precisa dentro da trama e mesmo assim, nunca foge e nem desconsidera as regras impostas pelo roteiro, mesmo sendo descaradamente fantasiosas e exagerada. O filme também não se furta a criticas políticas e as formas de como o poder trabalha em prol do Status Quo.

Junto a isso, a ação do filme nunca fica pra baixo. Ela é exagerada, barulhenta, sangrenta e sempre bem executada. Excetuando um personagem, o clima tenso de que a morte vai chegar pra esses personagens permeia a trama como uma sombra dando bitocas na orelha deles. Desde perseguições de carros, lutas mano-a-mano, combates de um contra dezenas de inimigos e até mesmo dois personagens falando sobre uma chuva de pênis, tudo no filme está sempre no volume máximo e as cenas de interações entre os personagens funcionam muito bem pra dar os descansos necessários e criar o mais importante, os laços afetivos que faz você se importar com o destino deles. 

Esse é um raro filme que não tem vergonha nenhuma de seu material fonte, e isso é carimbado na tela graças ao trabalho de figurino criado por Judian Makovsky, onde dá pra ver que o uso de cores puras e uniformes mais simples serve como um grande contraste pro caos que há em tela. Essa ode às HQs também está na ação e combates do longa. A fotografia de Henry Braham cria planos perfeitos onde você enxerga com clareza toda a ação, com cores vivas, sejam os vermelhos e amarelos da Arlequina em ação ou os azuis e verdes do Sanguinário conversando com a Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior). O caos que há na tela é um grande acerto do design de produção trazido por Beth Mickle , seja na prisão de Belle Reeve ou no caos latino e urbano de Corto Maltese. A edição segura e bem executada da dupla Fred Raskin e Christian Wagner mantém o ritmo preciso e seguro por todo o longa, em especial, no alucinado terceiro ato e a música de John Murphy ,somado com as escolhas musicais do Gunn, nos brindam com uma playlist matadora e que já vai garantir muitas visistas no Spotify.

Idris Elba e Margot Robbie são a força motriz do filme. Joel Kinnaman e John Cena encarnam como poucos os brucutus com carisma. Daniela Melchior e David Dastmalchian são excelentes surpresas e o Stallone é uma alegria de ouvir o seu trabalho de voz. O restante do gigante elenco cumpre muito bem as suas funções na trama e tem os seus momentos de brilhar na tela.

O Esquadrão Suicida é uma obra excepcional. James Gunn sem limites nos trouxe o caos anárquico e estúpido de um canto da DC Comics onde os vilões são os protagonistas. Onde um virada errada pode garantir uma faca na barriga dos personagens e cada missão gera uma contagem de corpos na casa dos dois ou três dígitos  e que mesmo assim, você consegue sentir e se cativar por esses cretinos uniformizados

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