Cinema - A Lenda de Candyman - Sangue, Horror e Atualidade!



A Lenda de Candyman ( Candyman, 2021), dirigido por Nia DaCosta , escrito por Nia DaCosta, Jordan Peele e Win Rosenfeld , marca o retorno de uma das franquias mais populares de horro dos anos 1990. À convite das amigas e parceiras da Espaço Z e da Universal Brasil, conferimos o longa. Fiquem tranquilos, sem spoilers.

Em um bairro pobre de Chicago, a lenda de um espírito assassino conhecido como Candyman (Tony Todd) assombrou a população do complexo habitacional de Cabini Green anos atrás. Agora, o local foi gentrificado e é lar de cidadãos de alta classe. O artista  Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen III) e sua namorada, diretora da galeria, Brianna Cartwright (Teyona Parris), se mudam para Cabrini, onde Anthony encontra uma a lenda de Candyman , que pode acabar levando-o à um caminho sem volta.

Antes, confira o prólogo que a diretora disponibilizou on-line, como uma introdução ao longa.

Esse novo longa considera apenas a obra original de 1992, O mistério de Candyman, que foi dirigido por Bernard Rose, que foi inspirado em um conto de Clive Baker chamado "The Forbidden". Com essa base, o roteiro usa o seu primeiro ato pra apresentar bem Anthony e Brianna e suas motivações. Daí quando Anthony descobre sobre Candyman, o longa apresenta dois mistérios que acertadamente geram dúvidas ao espectador, que vão se intercalando durante o segundo ato. Com isso vemos a degradação e queda desses personagens e como aqueles ao redor deles percebem isso e ao chegar ao terceiro ato, o filme acaba complicando-se mais do que deveria, mas consegue trazer um bom final. O maior foco não é no horror e sim no suspense e na tensão. DaCosta sabe conduzir bem o espectador pelo longa, colocando os sustos em locais sutis sem apelar pras já batidas soluções, como música alta ou coisas jogadas na tela. A atmosfera que ela cria é palpável, e isso faz com que as cenas de horror ganhem mais peso, seja a primeira que realmente abraça o gore sem pudores e ao apostar na elegância de trabalhar com o horror que o você não vê e apenas escuta. Somado á isso, há uma forte e direta crítica à efemeridade da arte contemporânea, elitismo, gentrificação e apagamento das populações pobres e o sempre presente preconceito enraizado da sociedade. 

Desde a abertura , já podemos ver que o trabalho de fotografia  é construído a fim de gerar desconforto, ao criar ângulos incômodos, seja com contra-plongees extremos , travellings giratórios de forma lenta e hiper closes em momentos mais nojentos ou de dor e panorâmicas que literalmente engolem os personagens no plano. Há os contrastes entre os azuis e neons dos ricos e os amarelados dos pobres e como Anthony está sempre usando cores neutras, fazendo-o ganhar destaque nos planos e que contrasta com Brianna, sempre elegante e refinada. O trabalho de som e a trilha sonora aqui são muito bem executados por criar as atmosferas corretas e ajudam o espectador a muitas vezes mergulhar na obra. graças ao apurado design de produção, os flashbacks trazem um assombroso e minimalista teatro de silhuetas que funcionam muito bem ao assustar e encantar ao mesmo tempo. Como um bom filme do gênero pede, os efeitos visuais são bem colocados na trama e nunca caem no exagero, sempre elegantes, precissos e nojentas na medida certa. O único campo que apresenta problemas é a edição do filme, que mesmo sendo claro em sua proposta lenta com cenas maiores, acaba passando um pouco do ponto no segundo ato e que acabou encurtando o fechamento da trama.

Yahya Abdul-Mateen III carrega o longa nas costas, com uma atuação segura que transmite muito bem a grande gama sentimentos e situações que Anthony passa na trama e Teyona Parris traz o contra-ponto certo ,ao ser mais cerebral e centrada.  os coadjuvantes são bem colocados na trama e funcionam muito bem,seja Troy ( Natha Stewart-Jarrett),o irmão de Brianna ou Burke (Colman Domingo),que ajuda Anthony a lidar com a lenda de Candyman.



A Lenda de Candyman acerta em trazer de volta um dos clássicos monstros da cultura pop. Sem esquecer o original de 1992 e adicionando camadas de crítica social , Nia DaCosta, junto com Jordan Peele, cria uma obra moderna com bases fortes no suspense e no horror e que também sabe criticar os muitos problemas de hoje e que ainda assustam, até mais do que um gancho sujo de mel e sangue.


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